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Ontem chorei de amores
Chorei
Como quem chora ao ver uma alma
Ir pro além
Ou como chora quem está lá
E o amor aquém
Ou como chora a moça
O moço do trem
Ontem chorei de amores
Chorei
Mas no fundo eu ria como riem
Os mentirosos (riem)
E os hipócritas riem
Mas enganosos
Eram meus risos e por isso me calei
Ontem chorei de dores
Chorei
Mas não doía (Por que choravas?
Não sei!)
Chorava pela poesia
Ser minha lei
Chorava como quem chora
A morte do rei
Ontem chorei minha vida
Chorei
Chorei mas o que eu queria era ter rido
E dirão uns no dia em que eu tiver-me ido
- Ele foi algo e morreu sem o ter sido!
31/05/2001
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I Queira eu clamar teu nome |
II O teu abraço |
| III
Os teus beijos sonho |
IV
Onde se faz o ato |
| V
Mais de mil faces |
VI
De novo vens |
| VII
Nessa dança 03/05/2001 – 08/05/2001 |
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Boêmio
Sinto agora a ausência de inspiração
Há uma vontade inerente de fazer algo
Criar algo
Meio angústia e desespero
Existe a idéia latente de criar um poema
Que não nasce
Por maior que seja a pressão de minha veia poética
Essa angústia
Sendo um misto de dor e prazer
É quase lírica
Não fosse a total ausência de amor
Aliás
A total ausência de qualquer coisa que valha
Talvez a culpa seja minha
Por ter-me transmigrado
E agora
A única coisa que vai ao céu
É a fumaça de um cigarro
E o único refresco de minh’alma
Um copo de cerveja.
12/03/2001
Ser = Nada
O vento cessa
Na rua, pessoas andam de um lado para o outro
Apressadas, preocupadas
Vivendo suas realidades pessoais
Todas elas foram as massas
A Massa
Seja ela de ricos ou pobres
Cultos ou iletrados
Todas estão juntas
Juntas na aflição
Juntas no pecado
E no entanto hostis umas às outras
Essa hostilidade
Essa cega e inútil hostilidade
É uma forma de não serem feridas
Correção:
Uma forma de não serem ainda mais feridas
Pelo seu próximo
Ou por si mesmas
E voltam para suas casas
Seus filhos
Seus problemas
Todos buscam carinho
E só encontram escuridão
Todos estão sozinhos
Sós na multidão
Na multidão
Pois nem sempre estar com alguém
É antônimo de solidão.
22/02/2001

