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Boêmio

Sinto agora a ausência de inspiração
Há uma vontade inerente de fazer algo
Criar algo
Meio angústia e desespero
Existe a idéia latente de criar um poema
Que não nasce
Por maior que seja a pressão de minha veia poética
Essa angústia
Sendo um misto de dor e prazer
É quase lírica
Não fosse a total ausência de amor
Aliás
A total ausência de qualquer coisa que valha
Talvez a culpa seja minha
Por ter-me transmigrado
E agora
A única coisa que vai ao céu
É a fumaça de um cigarro
E o único refresco de minh’alma
Um copo de cerveja.

12/03/2001

Ser = Nada

O vento cessa
Na rua, pessoas andam de um lado para o outro
Apressadas, preocupadas
Vivendo suas realidades pessoais
Todas elas foram as massas
A Massa
Seja ela de ricos ou pobres
Cultos ou iletrados
Todas estão juntas
Juntas na aflição
Juntas no pecado
E no entanto hostis umas às outras
Essa hostilidade
Essa cega e inútil hostilidade
É uma forma de não serem feridas
Correção:
Uma forma de não serem ainda mais feridas
Pelo seu próximo
Ou por si mesmas
E voltam para suas casas
Seus filhos
Seus problemas
Todos buscam carinho
E só encontram escuridão
Todos estão sozinhos
Sós na multidão
Na multidão
Pois nem sempre estar com alguém
É antônimo de solidão.

22/02/2001

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