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Réquiem à Beleza
A aquela que por simples semelhança
Lembra muito o envoltório da amada
Seus momentos de raiva ou temperança
São os mesmos daquela outra alma cantada
Dessa alma o poeta não se cansa
De fazer coisas líricas, toada
Mais bela eu já canto na esperança
De alcançar no coração a linda fada
Se um dia Deus sorrir para minha alma
Por graça eu tornar-me merecedor
De maior feito que ir ao Bojador
Manterei no coração a maior calma
Expulsarei de meu peito essa dor
Gozarei num corpo livre um novo amor.
08/03/2001
Palavras
Palavras são palavras
E sempre serão palavras,
Sejam bem ou mal faladas
Mal ou bem amadas.
Palavras traem.
Palavras doem.
Por serem simples
Palavras nada constroem.
Queira eu um verso torná-las
E num soneto redimi-las.
Talvez não tenha como acabá-las
E se acabá-las, como senti-las.
Tão comuns e inocentes
Às vezes passam despercebidas
Tocando profundo nossas feridas,
Amores que não mais sentes.
Ainda assim foram palavras,
Palavras faladas um dia,
Furiosas, fugazes, tristes, caladas,
Que nos deram conta: nosso amor morria.
Uns as tem como maravilhosas,
Outros, como esquecidas.
Pouco me importo se ruidosas
Foram as palavras daquele dia.
Ainda guardo na memória
As palavras por ti ditas,
Palavras que fizeram nossa história,
Agora mortas, esquecidas.
Como pode o nosso amor ter sido
Por simples palavras acabado?
Como pode ter ele morrido?
Amor, doce amor, tanto amado.
Sozinho, palavras agora me invadem,
Palavras que eu devia ter dito,
Palavras que sobre mim recaem,
Palavras que me fazem mal dito.
Vai-te, deixa-as caladas.
Caladas, as palavras todas.
Todas, palavras mal amadas
Mal amadas, palavras tolas.
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