You are currently browsing the tag archive for the 'paixão' tag.

Finalmente, finalmente posso vê-la
Posso vê-la como mulher que é, como animal que é
Como efêmera e volúvel e bela que é
Finalmente a vejo
Finalmente toco sua pele com meus versos
Enfim beijo sua boca com ternura
Poética, mas enfim ternura
Vejo sua pele branca, vejo seus seios claros
Vejo sua boca doce, sonho com seus lábios
A mão passo por seus cabelos
Antevejo seus abraços
Seus braços
Me prendem e não mais posso correr
Seus olhos são dois lagos
Em que me banho e perco a vida
Sua pele com sardas traços
De uma altivez imerecida
Suas pernas, orelhas, tudo
Pescoço, pés e umbigo
As mãos, as coxas, o sexo
Beijá-los quero todo incontido
Dói-me saber que ela existe
Que ela está aqui e que não está
Pois está com alguém que não sou eu
Alguém que não a amará.

04/06/2001

I

Queira eu clamar teu nome
Como quem chama a própria alma
De volta ao corpo
Como quem pede por ajuda
E por socorro
Como quem ama e por amor
Se acha morto
E os teus olhos (eu os vejo)
Eu os conheço
De outros tempos
De alguns versos atrás
Eu alegrá-los tento
A eles pertenço
(Eu que amá-los
Já não posso mais).

II

O teu abraço
O teu cheiro que me envolve
A tua presença
Que me marca, que me esquece
Estes são traços
Da mulher que me conhece
Que me ama, que ilude
Que me cria e me destrói
O amor que me corrói
Que me apascenta
E enaltece
É o mesmo amor
Que me procura
É teu veneno, é minha cura.

III

Os teus beijos sonho
Já que não os tenho
Onde não os ponho
Ficaram assim
Inconsumados
A cada encontro, a cada abraço
Um quase beijo vem no encalço
Eu me resisto e eu me freio
Eu me perco e eu me acho
Eu queria sentir teu lábio
Lábio-tocando-lábio
Boca-tocando-boca
E desse o destino ensejo
Beijo por sobre beijo.

IV

Onde se faz o ato
É consumada
A desgraça, a vileza
A vingança
Razão perdida
Delírios na esperança
De uma honra conquistada
Mas honra aqui
Não vale nada
Eu me desfaço, eu me afasto
Eu me perdoo
Eu sinto o gosto
Como o sente a acabada
Honra
Mas honra aqui
Não vale nada.

V

Mais de mil faces
Se constroem em meu palácio
Pudera eu ter fácil
A alegria que vem delas
Mas elas mentem
Elas fingem, elas sentem
A hipocrisia que escondemos, que criamos
E se perdemos o sentido
Dessas vidas
E por perdidas já as temos
Já estamos
Consideramos perdida
A rebeldia.

VI

De novo vens
Como vem o amanhã
És tão intrusa, penetrante
Quanto o sol
Não vens sozinha
Sim, vens com novo amante
É tua vinda indecidida
Te percebo, e para mim reclamas
De um certo que não amas
Não te ama (ninguém ama)
Nada faço (te observo)
Eu te olho
(E não te enxergo…)

VII

Nessa dança
A qual nós chamamos vida
Eu a encontro
Imerecida
Foi amante, foi amiga
Foi tudo e foi tão pouco
E agora tanto faz
Dançarina das mil noites
Bailarina das mentiras
Que a mim não enganas mais
E se teu último véu não tiras
A mim, quero que me digas
Para quem o tirarás?

03/05/2001 – 08/05/2001

Ela é toda encanto
Toda nada
O melhor nada que os poetas já tiveram
Os seus olhos são de um verde-nada
Que nada vêem e nada fazem
Rebrilhando em meio ao nada
O seu amor é de um tão imenso nada
Que eu a quero toda nada
Um nada que será só meu
Assim seremos ela e eu: nada
Numa estrofe muito mal versada
Num tudo-nada contagiante
Deixa-se o nada hilariante
O nada-espírito todo inconstante
O nada-amor que é todo fero
Serei do nada maior amante
Com tudo, o nada verei distante
E vestida de nada eu a quero.

22/04/2001

Te espero. Te sinto. Te acho.
Por entre versos
O teu retrato eu faço
Eu vejo beijos
Eu antevejo teus abraços
Que não existem
E já são todos simples traços
Sinto que queres
E sentir também eu quero
Mas evasivos nos falamos
Tu te vais. Eu te espero.
Não são sei bebo o licor que há neste jarro
Pois “o beijo, amigo,
É a véspera do escarro”.

22/04/01

PS – O último verso é um “empréstimo” de um verso do poema “Versos Íntimos”, de Augusto dos Anjos.

Em altos cantos cantam os poetas
Seus amores e medos malogrados
E eles cantam de tal forma exaltados
Que encantam até mesmo os mais ascetas

Em outro canto em formas não tão retas
Também cantam com paixão os iletrados
Nem por rima, nem por verso são regrados
Mas alcançam com ardor as suas metas

Pois Camões que era gênio e sapiente
Soube louvar sua Dinamene mas
Não realizou o amor; se foi silente

Mais entendem uma moça e um rapaz
Do amor que um poeta; o sabe a gente:
É na cama que o real amor se faz.

15/04/01

Boda Poética

Há um enleio poético neste dia
Em que meu corpo no teu corpo a ti procura
Eu te acho; tu, furtiva, te escondia
Entre os meus
Versos de amor
E poesia
Junto meu corpo a teu corpo
Eu sou inteiro
A ti pertenço, a ti adoro, a ti divino
Eu perco a rima
E perco a forma que me punia
Tu ficas nua
Sem tua roupa que te envolvia
É branca a pele
Também são brancos os meus versos
E vermelho é a cor do meu desejo
Eu tateio com minhas mãos
Teu corpo inteiro
A ele moldo, a ele crio, a ele beijo
Como beijo as linhas/curvas de um poema
Por entre versos, eu entrevejo tuas coxas
E num soneto me descubro nos teus seios
Mas num minuto te desfazes
Meu enleio
É sombra vaga, fútil miragem
Do meu desejo.

06/04/2001

Porto

Sou reles porto onde ancoraram
As almas que o amor deixaram
Umas vieram, algumas passaram
Outras nem mesmo se enamoraram
Algumas certas só me usaram
Erradas um tanto mais me gostaram
Nada faço senão amar
As almas que aqui ficaram.

30/03/2001

La Bella Donna

A aquela que ao poeta pobre encanta
Eu dedico mais um tom de minha arte
Ontem distante e agora grande parte
Desta alma que de amá-la se espanta

O amor e agora já a beleza tanta
Devem ter um certo augúrio em Marte
Dela não pode ser o amor a parte
Nem mesmo ser de sua sombra a manta

Pois essa bela que ao poeta atordoa
“Bella Donna” saída desta tela
Encanta olhos; com pensamentos voa

Que seja pois o coração que é dela
Casa onde melodicamente soa
Das toadas do amor uma mais bela.

12/02/2001

Pandora

Para aquela que no céu é luz celeste
E nesta vida deste amor a causa
Ela fez nas linhas do poeta a pausa
Sua alma com os seus segredos veste

Tal mistério ainda não tiveste
Pois ave assim não se prende em casa
Nem tentes pois cortar-lhe alguma asa
Não terás mal se mal não lhe fizeres

Esta Dama que com segredo encanta
Ela mesma que faz meu sol brilhar
Dos temores a sombra triste espanta

De enigmas um muro a si levanta
Um muro tal que não irás ultrapassar
Sejas tu Verdade ou amor a tua manta.

02/02/2001

Textos…

Baú de viagens

Textos mais acessados

Visitantes

  • 5,013 acessos desde 08/04/2008

Onde já estivemos…

AVISO LEGAL – QUESTÕES AUTORAIS

Creative Commons License
O conteúdo desse blog está protegido por uma licença Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

Você pode livre e gratuitamente copiar, distribuir, exibir e executar o conteúdo encontrado aqui, contanto que cite o autor do texto, não utilize para fins comerciais e não modifique o texto original.

Creative Commons