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Ela é toda encanto
Toda nada
O melhor nada que os poetas já tiveram
Os seus olhos são de um verde-nada
Que nada vêem e nada fazem
Rebrilhando em meio ao nada
O seu amor é de um tão imenso nada
Que eu a quero toda nada
Um nada que será só meu
Assim seremos ela e eu: nada
Numa estrofe muito mal versada
Num tudo-nada contagiante
Deixa-se o nada hilariante
O nada-espírito todo inconstante
O nada-amor que é todo fero
Serei do nada maior amante
Com tudo, o nada verei distante
E vestida de nada eu a quero.

22/04/2001

Ser = Nada

O vento cessa
Na rua, pessoas andam de um lado para o outro
Apressadas, preocupadas
Vivendo suas realidades pessoais
Todas elas foram as massas
A Massa
Seja ela de ricos ou pobres
Cultos ou iletrados
Todas estão juntas
Juntas na aflição
Juntas no pecado
E no entanto hostis umas às outras
Essa hostilidade
Essa cega e inútil hostilidade
É uma forma de não serem feridas
Correção:
Uma forma de não serem ainda mais feridas
Pelo seu próximo
Ou por si mesmas
E voltam para suas casas
Seus filhos
Seus problemas
Todos buscam carinho
E só encontram escuridão
Todos estão sozinhos
Sós na multidão
Na multidão
Pois nem sempre estar com alguém
É antônimo de solidão.

22/02/2001

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