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Amanda
Ah, Amanda,
Hoje quando acordava
Lembrei de uma frase tua:
“Não pense, Guilherme, aja,
Pois pensar não vai diminuir teus problemas.
Só atrasá-los, enquanto, lá fora,
O sol te espera com a esperança de um recomeço.”
Logo quem para falar em recomeço.
Você, que é a renovação em pessoa,
Que vive um dia após o outro,
Que parece ir contra toda e qualquer manifestação
De pressa, ansiedade,
Dessa coisa louca que acaba levando
Qualquer neopsicótico à loucura.
Queria ser como você, Amanda.
Só ter certeza da incerteza
Da mudança das coisas imutáveis.
Gostaria de não me preocupar com o amanhã
E deixar-me preencher pela magia
E pelas possibilidades do momento,
Aproveitar cada dia como se fosse o último.
“Que o amanhã cuide de si mesmo”.
Porém, tu és incerta como a brisa
Que do mar vinha afagar-te os cabelos.
Não sei se amanhã estarei contigo.
Não sei, Amanda, se restará um beijo
Para contar a história de um amor perdido
Que no mar nasceu e no mar teve termo.
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Poema em Atraso
Hoje o céu não tem estrelas.
Esta noite não tem luar.
Este amor não tem poesia,
E eu vi a tristeza chegar
Chegou como fosse lembrança,
Lembrança de alguém, um lugar.
Lembrando de um tempo, uma vida,
Uma vida que não voltará.
Às vezes de tanto chorar
Ganhamos sem perceber
Um amor, um lugar, alguém pra te amar,
Te amar sem você merecer.
De que adianta esse amor, este mar,
Se no fim sem ti fui viver,
Enquanto tu ficaste a chorar,
E eu fiquei a morrer?
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