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Lírica Sina

a um certo triângulo amoroso

Mais claro é o que para si levanta
No céu um primor mais estrelado
Pois Amor só conhece o que o amor encanta
Seja feio, ou ainda belo, distante, ou a teu lado

O certo amar agora tem um preço
E o incerto para si já tem também
Não basta pelo certo ter apreço
Ou o incerto não amar ninguém

Pois amor que é vago, triste, vário
Não muda e na vida arrefece
Ainda seja um dos seus amantes ário
Enquanto o outro na tristeza envelhece

O amor, sombra cega independente
Promete ao amante ser o céu
Mas ao dizer tem por saber mais consciente
Que nem ao menos será amor fiel

E assim vai cego o triste desamor
Que em certo tempo chegou a encantar
Hoje só é um poema, peito em dor
Tristeza alheia, apenas um cantar

Pois pior que ser no amor desamparado
É estar no amor se iludindo
Um coração puro ter para teu lado
E do outro lado ver algum mais lindo

É o que passa o poeta tristemente
Cantando sua vida num poema
Numa ode, numa lira, num soneto mente
Sendo a honra sua desgraça, e ela o seu lema

Mas não pode na vida ser tranquilo
O que tem para si dois corações
Um fatalmente estará a destruí-lo
E o outro: beijos, simples ilusões

Quisera eu poder ter terminado
Com um deles, ou com minha vida então
Já não posso, tenho o coração gelado
Pela vida (pela mais doce ilusão)

Se não posso a minha vida dar um fim
E para o amor já não há mais outro tema
Eu fico aqui, deixo minha vida assim
E termino, por agora, esse poema.

16/02/2001

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