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Finalmente, finalmente posso vê-la
Posso vê-la como mulher que é, como animal que é
Como efêmera e volúvel e bela que é
Finalmente a vejo
Finalmente toco sua pele com meus versos
Enfim beijo sua boca com ternura
Poética, mas enfim ternura
Vejo sua pele branca, vejo seus seios claros
Vejo sua boca doce, sonho com seus lábios
A mão passo por seus cabelos
Antevejo seus abraços
Seus braços
Me prendem e não mais posso correr
Seus olhos são dois lagos
Em que me banho e perco a vida
Sua pele com sardas traços
De uma altivez imerecida
Suas pernas, orelhas, tudo
Pescoço, pés e umbigo
As mãos, as coxas, o sexo
Beijá-los quero todo incontido
Dói-me saber que ela existe
Que ela está aqui e que não está
Pois está com alguém que não sou eu
Alguém que não a amará.
04/06/2001
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I Queira eu clamar teu nome |
II O teu abraço |
| III
Os teus beijos sonho |
IV
Onde se faz o ato |
| V
Mais de mil faces |
VI
De novo vens |
| VII
Nessa dança 03/05/2001 – 08/05/2001 |
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Ela é toda encanto
Toda nada
O melhor nada que os poetas já tiveram
Os seus olhos são de um verde-nada
Que nada vêem e nada fazem
Rebrilhando em meio ao nada
O seu amor é de um tão imenso nada
Que eu a quero toda nada
Um nada que será só meu
Assim seremos ela e eu: nada
Numa estrofe muito mal versada
Num tudo-nada contagiante
Deixa-se o nada hilariante
O nada-espírito todo inconstante
O nada-amor que é todo fero
Serei do nada maior amante
Com tudo, o nada verei distante
E vestida de nada eu a quero.
22/04/2001
Em altos cantos cantam os poetas
Seus amores e medos malogrados
E eles cantam de tal forma exaltados
Que encantam até mesmo os mais ascetas
Em outro canto em formas não tão retas
Também cantam com paixão os iletrados
Nem por rima, nem por verso são regrados
Mas alcançam com ardor as suas metas
Pois Camões que era gênio e sapiente
Soube louvar sua Dinamene mas
Não realizou o amor; se foi silente
Mais entendem uma moça e um rapaz
Do amor que um poeta; o sabe a gente:
É na cama que o real amor se faz.
15/04/01
Boda Poética
Há um enleio poético neste dia
Em que meu corpo no teu corpo a ti procura
Eu te acho; tu, furtiva, te escondia
Entre os meus
Versos de amor
E poesia
Junto meu corpo a teu corpo
Eu sou inteiro
A ti pertenço, a ti adoro, a ti divino
Eu perco a rima
E perco a forma que me punia
Tu ficas nua
Sem tua roupa que te envolvia
É branca a pele
Também são brancos os meus versos
E vermelho é a cor do meu desejo
Eu tateio com minhas mãos
Teu corpo inteiro
A ele moldo, a ele crio, a ele beijo
Como beijo as linhas/curvas de um poema
Por entre versos, eu entrevejo tuas coxas
E num soneto me descubro nos teus seios
Mas num minuto te desfazes
Meu enleio
É sombra vaga, fútil miragem
Do meu desejo.
06/04/2001
Abs-Trato
A minha moral e meus preceitos
Ab-nego
À poesia e ao meu espírito
Ab-dico
As ilusões, os meus amores
Ab-rogo
O teu corpo no meu corpo
Abs-tenho
Nossas falhas (os pecados)
Ab-solvo
o amor possível, pensamento
Abs-traio
Do lirismo, romantismo
Ab-uso
Teu coração e teu silêncio
Abs-trato
Que te amo, que te quero
Ab-juro
Tu me negas e eu me faço
Ab-surdo
O licor dos teus beijos
Ab-sorvo
Os teus seios, teu veneno
Ab-sinto.
19/03/01
Languidez
Vem a mim, ó minha amada branca,
Pois eu quero ao meu lado
De desejo ver-te rubra.
Quero sentir em meu corpo
Teu calor, tua ternura,
Vênus de Milo toda nua
Que aos meus olhos enlangüesce.
Tu és linda, és perfeita,
Ó minha estrela da manhã.
Eu canto a ti, ó minha musa,
À tua pele, à tua alvura.
Quero perder-me em teus braços
E de desejo ver-me entregue.
Quero amar-te assim na cama
Até que então o gozo me cegue.
Quero contigo em tuas curvas
E em teus seios estar perdido.
Meus olhos secos serão lagos
Teu beijo – que leve meu abrigo.
A tua boca, minha prisão.
As tuas mãos, minhas correntes.
Eu quero ter do amor o fogo
E do desejo as torrentes.
Serás minha e serei teu.
Seremos um único desejo.
Teremos todo amor do mundo
E um orgasmo a cada beijo.
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