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Por Entre a Bruma

à Carol

Aqueles olhos…
Ah… aqueles olhos…
Aqueles olhos que na noite penetraram
Que fizeram de mim reles poeta abandonado
Aqueles olhos “de poema transladados”
Aqueles olhos
Em meu peito enamorados
Por entre a bruma aqueles olhos feneceram
E de meu canto mais uma estrofe mereceram
Aqueles olhos que outro dono encontraram
São os mesmos olhos – em outro tempo, apaixonaram
Mas ela é toda
Toda olhos, seios, lábios
Toda pêlos, sonhos, medos
E só tê-la tornou-se o meu desejo
Mas o seu rosto, os seus olhos e o seu corpo
Que me encantaram e certo dia me envolveram
São apenas simples traços que morreram
E em meu quarto em sonhos tristes se perderam.

Laguna, 16/01/2001

Reinado

à Carol, quando se mudou para São Leopoldo

Se foi, já ido e partido
Se foi o sorriso, a alegria e a graça
Se foi o ombro amigo
O espírito enamorado
Se foi (se foi) o amigo mais ligado
Se foi (ao longe)
E vejo seu andar traçado
Nas linhas, entrelinhas,
Nas vidas e nestas páginas
Se foi (e fôra)
Um canto dos mais cantados
Se foi (ao longe)
Um amigo dos mais ligados.

?/?/2000

Soneto do Retorno

à Carol

Ela voltou e com ela as flores
E também as dores dos espinhos consumidos
Pela dor e pelo mais triste dos labores
Que é ver morrer os bem-queridos

Por ela sinto o mais puro dos amores
Entre tantos amores meus sentidos
Sem ela, meu amigo, perdem as cores
Os momentos de alegria meus vividos

Se não fosse de alegria descontente
E de semente já morto, não-vivido
Teria aqueles olhos tão somente

A mim voltados, sem tê-los esquecido,
E, em sua face, de amor, eternamente,
Teria a aqueles olhos colorido.

?/?/2000

Fim

Fim.
“Sonho de uma noite de verão”.
Será que Shakespeare sabia
O que realmente isso significa?
Bem, isso eu não sei.
Só posso dizer que o meu acabou.
Foi-se o sonho,
E, com um pouco de sorte,
Restaram as noites de verão.
Não posso negar, já sabia
Que, um dia, com alguém, aconteceria.
Não posso nem ao menos reclamar
Ou dizer que nunca passei por isso.
A verdade é que,
Por um tempo indeterminado,
Tentei esconder a verdade.
Parece que ela cansou de ficar escondida,
E agora, meus amigos,
O sonho acabou;
A chama morreu;
O vento passou;
E a árvore
Sem folhas
Re-
Nasceu.
Início.

?/?/1999

Meu Bem…

à Carol

Sabe
Estive pensando sobre certas coisas
(Ultimamente, tempo é o que não falta)
E decidi que você deveria saber disto.
Não fiz nada sozinho.
Você tem tanta culpa quanto eu.
Neste caso, por que só eu carrego o fardo?
Venha buscar o que é seu, meu bem.
Não me culpe por gostar de você.
Se você não pediu isso, muito menos eu.
Não me culpe por tê-lo sentido.
Não me culpe pelo que não aconteceu.
Agora que tento consertar o que você quebrou,
Ainda vem me perguntar o “porquê” de eu estar assim!
Assim como, querida?
Sinto-me perfeito, sinto-me bem
Como há tempos não me sentia.
O que houve? O feitiço acabou?
Você não me faz mais rir?
Não estou mais a seus pés?
Seu tempo passou, querida.
É chegada a hora de dizer adeus.
Você já pegou o que podia,
Agora deve prestar contas sobre como usou.
Não, querida, você não pode ficar mais um pouco.
Agora a pressa é minha.
Meu coração diz que esperou demais,
E está mais do que na hora de passar a próxima da fila.
Comigo, meu bem, é assim.
Meu amor é como um fio
Onde andorinhas vêm pousar.
Algumas ficam por uns momentos.
Algumas chegam a fazer um ninho.
Outras vêm só para sujá-lo.
Assim, meu bem,
Não me pergunte por que mudei.
Meu amor é sempre o mesmo.
As andorinhas é que mudaram.

?/?/1999

Apologias

à Carol

Vê?
As folhas no arvoredo farfalham.
O vento que as move não sabe disso
Nem se importa. Só sabe que tem de ir.
Na sua infindável via de ser,
Mover as folhas é só uma conseqüência.
O vento não sabe de onde vem
Nem para onde vai.
Sabe que no meio do caminho
Havia folhas
E elas se moveram quando ele passou.
Ele teria passado com ou sem as folhas.
Para ele foi só um atraso.
Que culpa tem ele delas estarem ali?
Que culpa tem ele delas terem se movido?
Que culpa tem ele se algumas delas caíram?
Que culpa tem ele se a árvore
Sem folhas
Morreu?
Assim são as coisas.
Às vezes, mesmo sem querer,
Cometemos crimes contra a vida.
Entramos na vida de alguém,
Acabamos com a sua tranqüilidade,
Bagunçamos, destruímos,
E quando finalmente somos tudo que ele ou ela tem
Seguimos em frente como o vento.
Sinto muito. É tudo o que tenho a dizer.
Sinto muito.
Minhas folhas caíram.

?/?/1999

Carolina

à Carol

Tu com teus olhos perolados
A mim me fizeste encantar
Teus lábios como que de poema transladados
A mim não permitem outra coisa senão te amar
Graças dou eu depois de tantos amores acabados
Ter tido a chance de um dia te encontrar

Se de mim, Carolina, escravo fizeste
Foi de amor, do teu amor, do qual dependo
Mesmo se tal intenção nunca tiveste
De te amar, de querer-te, não me arrependo
Se porventura distância de mim um dia quiseste
Não queiras tal, pois hei de acabar morrendo

Ante ti o meu amor sobeja
Amor esse que não posso mais conter
Conter esse sem que tu veja
Conter esse sem que eu venha a morrer
Deus queira que teu amante eu seja
Antes de tal amor esmoecer

Oh, Carolina, onde estás?
Queira eu o teu amor profundo
Sem ti minha alegria volveu atrás
E o amor, meu doce amor, fugiu do mundo
Agora nem lembranças meu coração traz
E meu espírito cai, conhecendo do poço o fundo

Mas chega! Da tristeza nem mais mesmo sei o nome
Depois de ti, só de ventura sou feito
O fogo de meu fero amor me consome
A chama fugaz arde em meu peito
Somente do teu amor eu tenho fome
Desejo tal que não me deixa descansar no leito

Minha alma ante tal possibilidade se aquece
Que por tal amor também estejas sendo consumida
Toda dúvida e indagação se arrefece
Amo-te mais que a minha própria vida
Do amor e de tudo mais que se conhece
Paixão maior que essa nunca foi sentida

Agora, eu tento transcrever a essas pobres linhas
O que eu, poeta, temeroso sinto
A ti, Carolina, as emoções minhas
(Se o contrário te disser é porque minto)
Para que certeza eu tivesse de que certeza tinhas
Do amor, do fero e doce amor que por ti sinto.

?/?/1999 – o primeiro poema que eu escrevi na minha vida.

Sábado

à Carol

É nestes momentos de paz
Que sinto preencher-me de saudade
Uma saudade boba – dessas que parece uma música
Que a gente ouve só na nossa cabeça
São esses momentos da vida
Que me fazem lembrar de ti
Fico assim meio dividido
Entre a vontade de correr até ti
Ou ficar em meu quarto sorrindo
Lembrando do teu sorriso
Lembrando do teu olhar (e meus olhos fitando os teus)
É tão bom estar contigo
Sentir tua mão à minha
Falar coisas em vão
Deixar o tempo passar
Deixar a noite cair
Deixar amar
Calar
E deixar-se ir.

?/?/1999

Conjecturar

à Carol

Gosto de ficar em meu quarto
Pensando sobre nossas vidas
Pensando naquilo que foi
E no que poderia ter sido
É estranho gostar de você
Um gostar tão desgostado
Que tem gosto não sei de quê
Talvez seja isto que me faz bobo
E rir por nada quando nada há para rir
Chorar por ter vontade de sorrir
E não poder voar por não ter aonde ir
Não sei se foi teu sorriso gostoso
Livre do pesar de quem vive por alguém
Ou o olhar maroto (esse mesmo que está a olhar)
Que fazes quando tento te alegrar
Não sei com qual espinho
Veio esta rosa a me ferir
E no meu choro desolado
No meu sangue derramado
Estou agora perfumado
Por esse amor, por esse fado
E por este céu que foi um dia
De tanto brilho estrelado.

?/?/1999

Razões de Amar

à Carol

Há várias razões para amar uma mulher.

Você pode amar uma mulher porque ela é linda,
Porque quando ela entra numa sala, algo acontece com as luzes
E todas parecem estar iluminando os seus movimentos,
Porque quando ela chega, não importa onde estavam os olhares;
Todos, absolutamente todos, se voltam para ela.

Você pode amar uma mulher porque ela te faz feliz na cama,
Porque quando ela te toca, teu corpo inteiro se excita com ela,
E quanto mais ela se excita,
Mais ela tira o teu fôlego,
E mais molhada ela fica,
E mais a tua boca seca.

Você pode amar uma mulher porque ela sorri,
Porque quando ela sorri
Não é um sorriso qualquer,
É um sorriso pra ti,
E nesse sorriso você vê todo amor que há em ti
E todo amor que há nela.

Você pode amar uma mulher pelo seu olhar,
Pela maneira como ela te olha
Te fazendo sentir como o homem mais importante do mundo
E duvidar se algum dia você fez algo para merecê-la.

Você pode amar uma mulher porque ela é carinhosa,
Porque quando você está com ela
E você deveria protegê-la,
Quem se sente protegido é você,
E o mundo inteiro poderia acabar naquele momento,
E ainda assim toda a sua vida faria sentido,
Pois não haveria nenhum outro lugar para estar
Além de ali
Do lado dela.

Você pode amar uma mulher porque ela te ouve
E ela faz isso como se cada palavra sua fizesse sentido
Quando nenhuma das coisas que você diz
Faz sentido algum.

Você pode amar uma mulher porque ela é divertida,
Porque cada minuto da sua vida se enche de alegria quando na presença dela,
E ela não faz isso pra te alegrar,
Ela faz isso porque assim é ela.

Você pode amar uma mulher pelo jeito que ela acorda,
Pelo jeito que ela te acorda,
E por aquilo que você sente cada vez que acorda ao lado dela.

Você pode amar uma mulher porque ela faz tudo,
Ou porque ela não faz nada,
E ainda assim a pergunta que te resta
É se um dia você terá feito pelo menos o mínimo
Para merecer o amor dela.

Você pode amar uma mulher porque ela te ama,
E quando ela te olha nos olhos e diz isso,
Não importa o que você ou os outros pensam sobre o amor.
Você simplesmente sabe.
Você simplesmente sente.

Há várias razões para amar uma mulher,
E eu encontrei em ti cada uma delas.
Logo eu,
Que sempre te amei
Sem nunca precisar de razão alguma.

19/03/2008.

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