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Finalmente, finalmente posso vê-la
Posso vê-la como mulher que é, como animal que é
Como efêmera e volúvel e bela que é
Finalmente a vejo
Finalmente toco sua pele com meus versos
Enfim beijo sua boca com ternura
Poética, mas enfim ternura
Vejo sua pele branca, vejo seus seios claros
Vejo sua boca doce, sonho com seus lábios
A mão passo por seus cabelos
Antevejo seus abraços
Seus braços
Me prendem e não mais posso correr
Seus olhos são dois lagos
Em que me banho e perco a vida
Sua pele com sardas traços
De uma altivez imerecida
Suas pernas, orelhas, tudo
Pescoço, pés e umbigo
As mãos, as coxas, o sexo
Beijá-los quero todo incontido
Dói-me saber que ela existe
Que ela está aqui e que não está
Pois está com alguém que não sou eu
Alguém que não a amará.
04/06/2001
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I Queira eu clamar teu nome |
II O teu abraço |
| III
Os teus beijos sonho |
IV
Onde se faz o ato |
| V
Mais de mil faces |
VI
De novo vens |
| VII
Nessa dança 03/05/2001 – 08/05/2001 |
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27/03
Por ocasião do aniversário de uma amiga
à Sharon
Parabéns! Eu canto, e é cantado
A uma alma que é de todo minha amiga
Reles sou se a ela comparado
Amizade maior não há quem diga
Bem me faz tê-la a meu lado
Essa alma que é por todos tão querida
Não é fútil o que me mantém ligado
Sim, é alto seu valor em minha vida
Sim, eu canto por meu peito estar contente
Há um tempo desde quando sou amigo
A ela elevo mais que a toda gente
Rogo eterno seja o laço a que me ligo
O amor é vão. A humana vida derradeira
Nela eu encontro a amizade verdadeira.
29/03/01
Camila
à Camila dos Reis
Certas vezes, enquanto vivemos
Algumas pessoas se destacam das outras
Muitas nem se dão conta disso
Individualmente tranquilas vão vivendo
Longe das tormentas do mundo
Assim, quase inconscientes
De algum modo essas pessoas
Olham o mundo de uma outra forma
Sentindo que o amanhã é mais que um outro dia
Realmente, tu és uma dessas pessoas
E agradeço por saber que serás amiga
Inda nos separe a distância ou talvez o cruel fado
Sempre estarás aqui,
espiritualmente a meu lado.
12/03/2001
Sharon
à Sharon
Há um canto em meio a tantos outros cantos
Que não deixa por dor ser alcançado
Esse canto de tanto ouvir meus prantos
Já se faz mais um amigo lado-a-lado
Sendo amigo ele cobre com seus mantos
A tristeza que o amor tem me causado
Traz alegria e leva os sonhos tantos
Que deixaram o meu coração cansado
E esse amigo eu busquei no feminino
Sexo por ter “natura” toda em graça
E um bem para minha alma maior faça
E um poema para ela assim termino
O amor, a vida fútil, tudo passa,
Mas a amizade dura e o peito enlaça.
09/03/2001
Sílvia
Não tenho a pretensão
De tornar-me inesquecível
Muito menos de ser
O alvo das atenções
Pois creio a pena não valeria
Desperdiçar comigo
Teu precioso tempo
Porém, se em meio
A essa grande confusão
Em que todos nós vivemos
Sentires que necessidade há
De teres alguém contigo
Olhes para o lado
E se veres cabisbaixo
Esse humilde poeta
Não hesites em chamá-lo
A solução pode até
Não estar com ele
Mas mesmo após tantas derrotas
Tantos amores e desamores
Um sorriso
Ao menos um sorriso
Ele há de te dar.
?/?/2000
Reinicke
à Priscila Reinicke
Certo dia, enquanto andava,
Por aí,
Perdido num amor qualquer,
Lembrei de ti
Assim, como sentir fome,
E aos poucos pela saudade fui tomado.
Lembrei de tudo que era bom
E ainda é – só que de outra forma
Uma forma mais sutil, etérea,
Quase imperceptível aos olhos estranhos.
Lembrei dos olhares, das conversas,
Das eternas discussões sobre o caráter alheio,
Sobre o quanto as pessoas enganavam,
Se enganavam,
Nos enganavam,
Perdoando erros que na verdade eram os nossos próprios.
Sim, éramos amigos,
E ainda que a palavra amizade,
De certa forma tão volúvel,
Nos seja estranha e até mesmo contrária,
Ainda assim,
Distantes,
Onde o único laço seja o raro e vão pensamento,
Ainda assim estás aqui.
Ainda assim,
Amiga.
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