You are currently browsing the tag archive for the '2000' tag.

Reinado Tupiniquim

Ó Reis, vós que o mundo comandais
Tendes por cetro a dor de todo o mundo
São vossas próprias as nossas mãos fatais
O seu tapete, a lama (mundo imundo)

As vossas leis são de todo imorais
Códigos-legado moribundos
Mas o seu povo que tem dor e amor reais
Tem no peito ferimento mais profundo

Pois o Povo que já sua e já luta
E alimenta com seu braço o bom burguês
Vê na honra mais erro de conduta

Que no roubo que acontece mês a mês
E sua vida é resumida na disputa
De uma pulga e os filhos de um inglês.

?/?/2000

Soneto do Ciúme

Este amor me dói num sofrimento
Que mais parece um riso de loucura
Se me dói é seu próprio contentamento
Se me contenta é a sua própria desventura

Mas Deus já fez do amor um sentimento
Para não se prender à carne dura
Pois esse amor que é de carne é ciumento
E minha carne que é de amor é imatura

Assim vai minha paixão adolescente
Que é toda do desejo uma cilada
Desengano, confusão em minha mente

E a causa disso é a alma fútil da amada
Que ao me ver roer unhas, calmamente,
No meu ciúme, se vê rogojizada.

?/?/2000

Sílvia

Não tenho a pretensão
De tornar-me inesquecível
Muito menos de ser
O alvo das atenções
Pois creio a pena não valeria
Desperdiçar comigo
Teu precioso tempo

Porém, se em meio
A essa grande confusão
Em que todos nós vivemos
Sentires que necessidade há
De teres alguém contigo
Olhes para o lado
E se veres cabisbaixo
Esse humilde poeta
Não hesites em chamá-lo
A solução pode até
Não estar com ele
Mas mesmo após tantas derrotas
Tantos amores e desamores
Um sorriso
Ao menos um sorriso
Ele há de te dar.

?/?/2000

Soneto Transcendental

Eu troco uma paixão por uma vária
Existência indagativa e poética
Pois na vida nada vale minha ética
Se de todo em beleza ela for ária

Entre os meus eu já sou chamado pária
Por ter alma e natureza toda eclética
Encantei dos amores a cinética
Encantei, por de todo ela ser vária

E assim termina, assim se dá por finda
Minha vida, minha sina e certeza
Das quais fiz uma existência toda linda

É o fim, mas minha morte não é ainda
Pois quem vê, como eu vi, vital beleza,
Eterno, noutro plano, vive ainda.

?/?/2000.

Para a introdução do livro “A Estrela da Vida Inteira”, do grande Manuel Bandeira.

Abaixo às introduções poéticas
Às introduções enfadonhas
Às introduções que tentam embelezar o que já é belo
Que tentam atrair o brilho para si
A poesia não precisa ser introduzida
Não precisa ser explicada
A poesia precisa ser vivida, respirada
Comida com pão e manteiga no café da manhã
Abaixo às introduções
Passemos direto à poesia pura e simples.

?/?/2000

Conclusão

Terminei mais um poema
A caneta, não a pena,
Deita por sobre o livro
O trabalho do poeta está terminado
Resta o coração
Resta a alma
Restam os restos
Tão restos
Que já não merecem serem contados.

?/?/2000

Poema Operário

Nasceu João Proletário
João, operário, na lama viveu
João fez promessa, João tem rosário
João tem seu fado e a fé que se deu

João sai andando cantando a cantiga
Outrora amiga na fria manhã
João trabalha e talvez consiga
Fazer de sua sina os bens de sua irmã

João dá duro, João se acaba
João se lava na labuta do dia
João se ria (por dentro chorava)
E ter esperança já não conseguia

João se casa (e volta pra casa)
João já ama (ninguém o amava)
E de João nascia (e João chorava)
Outro corpo, um asilo, a uma alma operária

João envelhece, João teria
A experiência nutrida com pão, água e dor
João enfraquece, ele adoecia
E João perdia de sua vida o sabor

A vida enegrece; já chora a família
Destruída, desnutrida; reza o filho varão
À memória de João, já apodrecida,
E o corpo (tão pouco) jaz morto no chão.

?/?/2000

Reinado

à Carol, quando se mudou para São Leopoldo

Se foi, já ido e partido
Se foi o sorriso, a alegria e a graça
Se foi o ombro amigo
O espírito enamorado
Se foi (se foi) o amigo mais ligado
Se foi (ao longe)
E vejo seu andar traçado
Nas linhas, entrelinhas,
Nas vidas e nestas páginas
Se foi (e fôra)
Um canto dos mais cantados
Se foi (ao longe)
Um amigo dos mais ligados.

?/?/2000

Do(is) Lado(s)

Brilhava a (negra) lua
Refletida no (opaco) lago
Era larga a (estreita) rua
A um casal de namorados
Era longo o (breve) olhar
Era doce o (salgado) mar
Era um claro e (in)certo amar
Um (des)amor de (des)amar.

?/?/2000

Busca

Jaz a teu lado um novo corpo
Um corpo humano de amor, serenidade
E se faz na ebriez do corpo morto
Um mundo triste, berço efêmero da cidade

É essa cidade minha fortaleza e meu retiro
Onde respiro os altos brios da mocidade
E é só verdade esse amor o qual transpiro
E necessito por já não ter outra metade

E ter verdade, ter mentira e ter maldade
É minha trilha, minha sina e minha vida
E já se faz da minha vida só saudade

E de saudade vou morrer (minha vida finda)
Ela se foi (e com ela minha felicidade)
Já fui poeta, mas amor não tive ainda.

?/?/2000.

Textos…

Baú de viagens

Textos mais acessados

Visitantes

  • 5,012 acessos desde 08/04/2008

Onde já estivemos…

AVISO LEGAL – QUESTÕES AUTORAIS

Creative Commons License
O conteúdo desse blog está protegido por uma licença Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

Você pode livre e gratuitamente copiar, distribuir, exibir e executar o conteúdo encontrado aqui, contanto que cite o autor do texto, não utilize para fins comerciais e não modifique o texto original.

Creative Commons