“Músicas ao Vento” é o título que eu dei para a quinta “edição” do meu caderno de poesias. Essa história de escrever começou, de verdade, em 1999, quando eu tinha quinze anos, alguns meses antes de eu olhar pela primeira vez nos olhos de uma mulher e dizer “eu te amo”. A cada ano, eu “reinventava” aquele caderno, seja retirando alguns poemas, seja mudando texto de abertura (ainda que eu achasse que não tinha o talento necessário para ser escritor, vai que algum louco achasse meu caderno depois de minha morte e resolvesse publicá-lo? Era melhor ter uma introdução que eu mesmo tivesse escrito).

O nome inicial era “Apócrifos”. Quando esse nome surgiu, a poesia para mim era a representação de toda a angústia que eu vivia naquele mar de sentimentos desconhecidos, sem ninguém para servir de guia. Então, costumava dizer que tudo o que eu queria era não ter motivos para escrever poesias e simplesmente poder dizer: sou feliz. Obviamente, as coisas mudaram…

Não só a minha relação com a poesia, mas igualmente minha relação com meus sentimentos, mudou. Acabei percebendo que esse “dom”, como alguns o chamam, de certa forma representava uma parcela daquilo que me fazia ser “eu” e não outra coisa qualquer. Da mesma forma, a maneira como eu sinto e como eu encaro meus sentimentos também. Ao invés de tentar lutar para superar aquele primeiro amor com os outros possíveis amores subseqüentes, resolvi aceitar a sua contribuição para aquilo que acabei me tornando – um romântico incurável. Assim, julguei necessário uma mudança no título.

Comparei certa vez (no poema “Apologias”) com o vento aquela garota que conheci há nove anos atrás. Depois de me dar conta que as emoções vividas e os poemas escritos desde então de alguma forma sempre retornavam a ela, assim como minha vida, resolvi renomear meus escritos como “Músicas ao Vento”. Mantive esse título desde então, repassando agora ao blog, como forma de lembrar como cheguei até aqui e o que eu estava procurando.

Interessante é que no dia em que parei de procurar, o amor e a poesia deram um jeito de me reencontrar.

Guilherme Augusto Dornelles de Souza