Boêmio

Sinto agora a ausência de inspiração
Há uma vontade inerente de fazer algo
Criar algo
Meio angústia e desespero
Existe a idéia latente de criar um poema
Que não nasce
Por maior que seja a pressão de minha veia poética
Essa angústia
Sendo um misto de dor e prazer
É quase lírica
Não fosse a total ausência de amor
Aliás
A total ausência de qualquer coisa que valha
Talvez a culpa seja minha
Por ter-me transmigrado
E agora
A única coisa que vai ao céu
É a fumaça de um cigarro
E o único refresco de minh’alma
Um copo de cerveja.

12/03/2001