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Pandora
Para aquela que no céu é luz celeste
E nesta vida deste amor a causa
Ela fez nas linhas do poeta a pausa
Sua alma com os seus segredos veste
Tal mistério ainda não tiveste
Pois ave assim não se prende em casa
Nem tentes pois cortar-lhe alguma asa
Não terás mal se mal não lhe fizeres
Esta Dama que com segredo encanta
Ela mesma que faz meu sol brilhar
Dos temores a sombra triste espanta
De enigmas um muro a si levanta
Um muro tal que não irás ultrapassar
Sejas tu Verdade ou amor a tua manta.
02/02/2001
Soneto da Reparação
Não me abstive e do vinho eu bebi
Como bebe o que de licor se encanta
E se meu ato aos que são fiéis espanta
Contarei como eu-poeta consegui
Num certo dia, no meu quarto, eu a vi
Tão bela a minha estrela serenada
Em seu olhar a pude ver enamorada
E amar a outra eu não mais consegui
Troquei então de meu coração a dona
A outro amor só direi – renunciei
Pois uma nova paixão veio-me à tona
Mais vale então o amor a que me dei
Pra que manter deste coração a dona
Se um amor maior que o outro eu ganhei.
28/01/2001
Por Entre a Bruma
à Carol
Aqueles olhos…
Ah… aqueles olhos…
Aqueles olhos que na noite penetraram
Que fizeram de mim reles poeta abandonado
Aqueles olhos “de poema transladados”
Aqueles olhos
Em meu peito enamorados
Por entre a bruma aqueles olhos feneceram
E de meu canto mais uma estrofe mereceram
Aqueles olhos que outro dono encontraram
São os mesmos olhos – em outro tempo, apaixonaram
Mas ela é toda
Toda olhos, seios, lábios
Toda pêlos, sonhos, medos
E só tê-la tornou-se o meu desejo
Mas o seu rosto, os seus olhos e o seu corpo
Que me encantaram e certo dia me envolveram
São apenas simples traços que morreram
E em meu quarto em sonhos tristes se perderam.
Laguna, 16/01/2001

