Soneto do Ciúme
Este amor me dói num sofrimento
Que mais parece um riso de loucura
Se me dói é seu próprio contentamento
Se me contenta é a sua própria desventura
Mas Deus já fez do amor um sentimento
Para não se prender à carne dura
Pois esse amor que é de carne é ciumento
E minha carne que é de amor é imatura
Assim vai minha paixão adolescente
Que é toda do desejo uma cilada
Desengano, confusão em minha mente
E a causa disso é a alma fútil da amada
Que ao me ver roer unhas, calmamente,
No meu ciúme, se vê rogojizada.
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