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Andrea Doria

O sol que agora me aparece
Já teria há muito aparecido
Se eu fosse aquele que conhece
Os segredos tão bem escondidos

Pois o espírito, que é de humana consciência,
Furtivamente, esconde seus anseios
Mas ninguém tem dos amores a ciência
Sem passar do amor pelos enleios

E o coração, esta vã e insana luz
Por certo fraca, por certo limpa e transparente
É guia imprópria que os passos meus conduz
Ao amanhecer depois de um simples sol poente.

Laguna, 19/01/2001

Tríade Celestial

No céu brilharam três estrelas
Que encantaram ainda mais o meu luar
E seu brilho me cegava, mas não tê-las
Era o que se tornava meu pesar

Pois estrela que é luz e energia
Caprichosa, não deixa ser tocada
E o sorriso (e seus lábios) e a alegria
Me prenderam ao ver a estrela serenada

Mas o que encanta, o que ao pobre poeta espanta
Não é a beleza de todo já cantada
Não é a alegria cobrindo a alma como manta
Nem a magia de ver tão perto tal amada

É sim o vão e fútil sonho errado
De querer perto tal brilho e ser capaz
De manter dois senhores lado a lado
E amar assim para a sempre mais e mais

Mas como do vinho o que bebe se abstém
Também eu me abstenho dessa iguaria
Pois querer mais é pecado a quem já tem
Em céu próprio, maior estrela-guia.

Laguna, 15/01/2001

A um botão

És a mais rosa
Rosa dos rosais
És a mais bela
Uva dos parreirais
É tua boca origem
De todos os meus “ais”
Quero ter-te agora
E perder-te nunca mais.

Laguna, 10/01/2001

Reinado Tupiniquim

Ó Reis, vós que o mundo comandais
Tendes por cetro a dor de todo o mundo
São vossas próprias as nossas mãos fatais
O seu tapete, a lama (mundo imundo)

As vossas leis são de todo imorais
Códigos-legado moribundos
Mas o seu povo que tem dor e amor reais
Tem no peito ferimento mais profundo

Pois o Povo que já sua e já luta
E alimenta com seu braço o bom burguês
Vê na honra mais erro de conduta

Que no roubo que acontece mês a mês
E sua vida é resumida na disputa
De uma pulga e os filhos de um inglês.

?/?/2000

Soneto do Ciúme

Este amor me dói num sofrimento
Que mais parece um riso de loucura
Se me dói é seu próprio contentamento
Se me contenta é a sua própria desventura

Mas Deus já fez do amor um sentimento
Para não se prender à carne dura
Pois esse amor que é de carne é ciumento
E minha carne que é de amor é imatura

Assim vai minha paixão adolescente
Que é toda do desejo uma cilada
Desengano, confusão em minha mente

E a causa disso é a alma fútil da amada
Que ao me ver roer unhas, calmamente,
No meu ciúme, se vê rogojizada.

?/?/2000

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