Poema Operário
Nasceu João Proletário
João, operário, na lama viveu
João fez promessa, João tem rosário
João tem seu fado e a fé que se deu
João sai andando cantando a cantiga
Outrora amiga na fria manhã
João trabalha e talvez consiga
Fazer de sua sina os bens de sua irmã
João dá duro, João se acaba
João se lava na labuta do dia
João se ria (por dentro chorava)
E ter esperança já não conseguia
João se casa (e volta pra casa)
João já ama (ninguém o amava)
E de João nascia (e João chorava)
Outro corpo, um asilo, a uma alma operária
João envelhece, João teria
A experiência nutrida com pão, água e dor
João enfraquece, ele adoecia
E João perdia de sua vida o sabor
A vida enegrece; já chora a família
Destruída, desnutrida; reza o filho varão
À memória de João, já apodrecida,
E o corpo (tão pouco) jaz morto no chão.
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