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Reinado
à Carol, quando se mudou para São Leopoldo
Se foi, já ido e partido
Se foi o sorriso, a alegria e a graça
Se foi o ombro amigo
O espírito enamorado
Se foi (se foi) o amigo mais ligado
Se foi (ao longe)
E vejo seu andar traçado
Nas linhas, entrelinhas,
Nas vidas e nestas páginas
Se foi (e fôra)
Um canto dos mais cantados
Se foi (ao longe)
Um amigo dos mais ligados.
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Do(is) Lado(s)
Brilhava a (negra) lua
Refletida no (opaco) lago
Era larga a (estreita) rua
A um casal de namorados
Era longo o (breve) olhar
Era doce o (salgado) mar
Era um claro e (in)certo amar
Um (des)amor de (des)amar.
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Busca
Jaz a teu lado um novo corpo
Um corpo humano de amor, serenidade
E se faz na ebriez do corpo morto
Um mundo triste, berço efêmero da cidade
É essa cidade minha fortaleza e meu retiro
Onde respiro os altos brios da mocidade
E é só verdade esse amor o qual transpiro
E necessito por já não ter outra metade
E ter verdade, ter mentira e ter maldade
É minha trilha, minha sina e minha vida
E já se faz da minha vida só saudade
E de saudade vou morrer (minha vida finda)
Ela se foi (e com ela minha felicidade)
Já fui poeta, mas amor não tive ainda.
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Jóia Rara
Lembro com muito gosto
Os bons momentos pelos quais passamos,
Nossos sonhos (talvez não realizados),
Nossas esperanças (embora hoje só desespere),
Nossas idiossincrasias (algumas até hipocrisias).
Lembro-me do teu olhar (o brilho de uma pérola).
Lembro-me do teu sorriso (e a alegria que em mim inspirava).
Lembro-me do teu perfume (e das rosas de nossa varanda).
Lembro-me da bela
Da bela visão que era
Ver-te acordar pela manhã.
Lá não eras perfeita,
Nem eras minha musa.
Lá eras apenas tu
Com tuas qualidades e defeitos
Livre de máscaras ou maquilagem,
E era assim que eu te amava:
Livre, leve, solta, nua,
Comum
E ao mesmo tempo uma jóia rara.
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Céu de Devassidão
De meu mundo concebi
Pessoas como estrelas
Mas só depois de conhecê-las
O meu erro percebi
Tão puras e tão belas
As estrelas parecem ser
Só porque não podes ver
A real cor que há nelas
Há na tua concepção
A branquitude das pérolas
Isso até quando desvelas
O véu de escuridão
Só assim na devassidão
Verás o que são elas
Não mais brancas como pérolas
E sim negras como o carvão.
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