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Soneto da Dor
Ai de mim que te amo tanto
Deus quisera que não te amasse
Não teria assim da dor o espanto
Nem do amor a dor que nasce
Só seriam cinzas o desencanto
Não haveria dor que não passasse
Não teria palavras de amor no entanto
Mais feliz seria se não te amasse
E agora quando chega a despedida
E do amor termina a ilusão
Já dei minha esperança por perdida
Já fiz de cova meu coração
Já fiz de amor a dor sentida
Já fiz de alegria a desilusão.
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Soneto do Retorno
à Carol
Ela voltou e com ela as flores
E também as dores dos espinhos consumidos
Pela dor e pelo mais triste dos labores
Que é ver morrer os bem-queridos
Por ela sinto o mais puro dos amores
Entre tantos amores meus sentidos
Sem ela, meu amigo, perdem as cores
Os momentos de alegria meus vividos
Se não fosse de alegria descontente
E de semente já morto, não-vivido
Teria aqueles olhos tão somente
A mim voltados, sem tê-los esquecido,
E, em sua face, de amor, eternamente,
Teria a aqueles olhos colorido.
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Espera
Silêncio.
Porém, dessa vez, não é o silêncio de minha alma,
Nem o vazio de meu coração.
É só o telefone.
Esse azul e maldito telefone
Que insiste em não tocar.
Tuuuuuu… tu-tu-tu-tu…
É tudo que ele me diz.
Eu? Eu o quê??
É você que não toca!
Não toma conhecimento
Da saudade,
Dessa cortante e louca saudade
Que invade meu coração.
Porém, ele
Estático e impassível
Só sabe me dizer:
Tuuuuuu…
Tu-tu-tu-tu…
E vou perdendo-me por inteiro.
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Elegia Nacional
Rostos anônimos olhando no vidro.
Rostos anônimos olhando na chuva.
Rostos? Não, não mais rostos,
Apenas caras, olhos e bocas
Envoltos no anonimato de cada dia.
Trabalhadores, braços, estatísticas,
Apenas números no telejornal.
Assim são os braços fortes
Que com retumbante brado
Conquistaram o penhor dessa igualdade.
Salvem! Salvem nosso povo!
Nosso florido e amado povo
Para que não deite eternamente
Num berço esplêndido de angústia,
Nas margens plácidas da angústia.
Um povo heróico de angústia.
Ordem e Progresso.
República Federativa da Solidão.
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CaMinhando Para Algum lugar
Em homenagem ao “adorável” colégio
onde cursei o Ensino Médio, o famigerado
Colégio Militar de Porto Alegre
Sinto-me enjaulado
Eu vejo almas
Eu vejo plantas
Eu vejo um bando de vegetais
Eu vi minha sombra falar com a tua
Eu vi meu ego berrar com o teu
Vi-me andando na rua
Vi-me – e não era eu
Eu não sei por que estou aqui
Eu não sei por que não estou
Apenas estou assim
Como um pingo de chuva
Sempre a procurar o mar
Mas indo acabar no bueiro
CaMinhando Para Algum lugar.
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