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Fim

Fim.
“Sonho de uma noite de verão”.
Será que Shakespeare sabia
O que realmente isso significa?
Bem, isso eu não sei.
Só posso dizer que o meu acabou.
Foi-se o sonho,
E, com um pouco de sorte,
Restaram as noites de verão.
Não posso negar, já sabia
Que, um dia, com alguém, aconteceria.
Não posso nem ao menos reclamar
Ou dizer que nunca passei por isso.
A verdade é que,
Por um tempo indeterminado,
Tentei esconder a verdade.
Parece que ela cansou de ficar escondida,
E agora, meus amigos,
O sonho acabou;
A chama morreu;
O vento passou;
E a árvore
Sem folhas
Re-
Nasceu.
Início.

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Meu Bem…

à Carol

Sabe
Estive pensando sobre certas coisas
(Ultimamente, tempo é o que não falta)
E decidi que você deveria saber disto.
Não fiz nada sozinho.
Você tem tanta culpa quanto eu.
Neste caso, por que só eu carrego o fardo?
Venha buscar o que é seu, meu bem.
Não me culpe por gostar de você.
Se você não pediu isso, muito menos eu.
Não me culpe por tê-lo sentido.
Não me culpe pelo que não aconteceu.
Agora que tento consertar o que você quebrou,
Ainda vem me perguntar o “porquê” de eu estar assim!
Assim como, querida?
Sinto-me perfeito, sinto-me bem
Como há tempos não me sentia.
O que houve? O feitiço acabou?
Você não me faz mais rir?
Não estou mais a seus pés?
Seu tempo passou, querida.
É chegada a hora de dizer adeus.
Você já pegou o que podia,
Agora deve prestar contas sobre como usou.
Não, querida, você não pode ficar mais um pouco.
Agora a pressa é minha.
Meu coração diz que esperou demais,
E está mais do que na hora de passar a próxima da fila.
Comigo, meu bem, é assim.
Meu amor é como um fio
Onde andorinhas vêm pousar.
Algumas ficam por uns momentos.
Algumas chegam a fazer um ninho.
Outras vêm só para sujá-lo.
Assim, meu bem,
Não me pergunte por que mudei.
Meu amor é sempre o mesmo.
As andorinhas é que mudaram.

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Apologias

à Carol

Vê?
As folhas no arvoredo farfalham.
O vento que as move não sabe disso
Nem se importa. Só sabe que tem de ir.
Na sua infindável via de ser,
Mover as folhas é só uma conseqüência.
O vento não sabe de onde vem
Nem para onde vai.
Sabe que no meio do caminho
Havia folhas
E elas se moveram quando ele passou.
Ele teria passado com ou sem as folhas.
Para ele foi só um atraso.
Que culpa tem ele delas estarem ali?
Que culpa tem ele delas terem se movido?
Que culpa tem ele se algumas delas caíram?
Que culpa tem ele se a árvore
Sem folhas
Morreu?
Assim são as coisas.
Às vezes, mesmo sem querer,
Cometemos crimes contra a vida.
Entramos na vida de alguém,
Acabamos com a sua tranqüilidade,
Bagunçamos, destruímos,
E quando finalmente somos tudo que ele ou ela tem
Seguimos em frente como o vento.
Sinto muito. É tudo o que tenho a dizer.
Sinto muito.
Minhas folhas caíram.

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