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Manifesto à Liberdade
Mórbido é o silêncio
Dos meus brados abafados
Esperanças já perdidas
Os horrores dos meus fados
Eu canto a liberdade
Com os meus braços atados
Brados dou à anarquia
Com ímpetos controlados
Vivas à desordem
Dão versos organizados
Vamos à revolução
Ó Poetas revoltados
Com nossas armas na mão
E nossos corpos ensangüentados
A tortura de nossa alma
Provém dessa evolução
Da mentira para bondade
Da verdade à maldição
Será tal iniqüidade
Que faz nossa união?
Uns mentindo pra ter ordem
Outros pra ter solução
Somos jovens insultados
Agora prontos para a ação
Somos fumantes inveterados
Com este câncer no pulmão
Somos espíritos degredados
Guerreiros da revolução
Por que aceitar as ordens
Dos ditos “santos” por concessão?
São santos para eles próprios
Pois tão mortos quanto nós estão
Só fingem serem seres honrados
Mas melhor que nós eles não são
Antes nós sem sonhos, sem fados
Do que eles mentindo em vão
Em nome de um mundo perdido
Onde não há mais salvação
Sejamos punks, soldados
Adeus à vida de cidadão
Que haja sangue por todo o lado
Essa será nossa reação
O governo de políticos acabados
Será o altar de nossa coroação
Façamos tudo sem piedade
Por que ter pena agora então?
Sem os grilhões da derrota
Contra nós nada poderão
Façamos do bom senso a desordem
Chega, por ora, de ter razão
Não quero estar certo nem errado
Só não quero ter lutado em vão
Saber que fomos manipulados
Por “césares” que tramam a opressão
Sejamos livres, fraternos, igualitários
Em nossa língua não haverá “não”
Por um fim nestes pseudo-sábios
Ou morrer tentando até a libertação.
?/?/1999
Conjecturar
à Carol
Gosto de ficar em meu quarto
Pensando sobre nossas vidas
Pensando naquilo que foi
E no que poderia ter sido
É estranho gostar de você
Um gostar tão desgostado
Que tem gosto não sei de quê
Talvez seja isto que me faz bobo
E rir por nada quando nada há para rir
Chorar por ter vontade de sorrir
E não poder voar por não ter aonde ir
Não sei se foi teu sorriso gostoso
Livre do pesar de quem vive por alguém
Ou o olhar maroto (esse mesmo que está a olhar)
Que fazes quando tento te alegrar
Não sei com qual espinho
Veio esta rosa a me ferir
E no meu choro desolado
No meu sangue derramado
Estou agora perfumado
Por esse amor, por esse fado
E por este céu que foi um dia
De tanto brilho estrelado.
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