Publicado por: Gui | 09/06/2009

Boda Poética

Boda Poética

Há um enleio poético neste dia
Em que meu corpo no teu corpo a ti procura
Eu te acho; tu, furtiva, te escondia
Entre os meus
Versos de amor
E poesia
Junto meu corpo a teu corpo
Eu sou inteiro
A ti pertenço, a ti adoro, a ti divino
Eu perco a rima
E perco a forma que me punia
Tu ficas nua
Sem tua roupa que te envolvia
É branca a pele
Também são brancos os meus versos
E vermelho é a cor do meu desejo
Eu tateio com minhas mãos
Teu corpo inteiro
A ele moldo, a ele crio, a ele beijo
Como beijo as linhas/curvas de um poema
Por entre versos, eu entrevejo tuas coxas
E num soneto me descubro nos teus seios
Mas num minuto te desfazes
Meu enleio
É sombra vaga, fútil miragem
Do meu desejo.

06/04/2001

Publicado por: Gui | 09/06/2009

Porto

Porto

Sou reles porto onde ancoraram
As almas que o amor deixaram
Umas vieram, algumas passaram
Outras nem mesmo se enamoraram
Algumas certas só me usaram
Erradas um tanto mais me gostaram
Nada faço senão amar
As almas que aqui ficaram.

30/03/2001

Publicado por: Gui | 09/06/2009

Lágrimas do Adeus

Publicado por: Gui | 09/06/2009

27/03 Por ocasião do aniversário de uma amiga

27/03
Por ocasião do aniversário de uma amiga

à Sharon

Parabéns! Eu canto, e é cantado
A uma alma que é de todo minha amiga
Reles sou se a ela comparado
Amizade maior não há quem diga
Bem me faz tê-la a meu lado
Essa alma que é por todos tão querida
Não é fútil o que me mantém ligado
Sim, é alto seu valor em minha vida

Sim, eu canto por meu peito estar contente
Há um tempo desde quando sou amigo
A ela elevo mais que a toda gente
Rogo eterno seja o laço a que me ligo
O amor é vão. A humana vida derradeira
Nela eu encontro a amizade verdadeira.

29/03/01

Publicado por: Gui | 03/06/2009

Ópera

Ópera

Cale-se a musa!

Abrem-se agora as cortinas do mistério. O Amor, A Poesia e outras personagens dessa sátira chamada vida tomam o centro do palco. Há um certo requinte operesco na inspiração do Criador e, após o allegro por que passamos não tardará o adágio. A plateia é chamada à vida de forma a todos serem seus próprios atores e espectadores. Não admire-se o louco. A loucura, aqui, é apenas um pré-requisito.

Há uma turba que se ergue em meio ao canto. Não há mais um uníssono, e apure os ouvidos o desejoso por verdades. A confusão toma conta dos bastidores, e o elenco é chamado ao improviso. Cria-se, e cria-se bem.

A arte aqui nascida é bastarda de corações solitários e paixões mesquinhas, unidas por um laço caprichoso e vil. O Homo Sapiens transmuta-se em Homo Sum. O Homem sabe que nada sabe e apenas é. Nessa angústia de ser, ele se descobre ser pensante, vivente e amante. É o poeta primordial em seu canto de fantasia.

Faz-se o silêncio. De um lado, estão todas as ideias de Platão: Honra, Sabedoria, Amor, Coragem e Alegria. Do outro, os figurantes e coadjuvantes de nossa realidade terrena: o desejo, a inveja, as paixões, os eufemismos. Há toda uma gama de poetastros e farsantes tentando atrair a atenção para seus cantos, mais pelo volume que pela beleza. O Poeta, o verdadeiro, está quieto a um canto. Ele cria e deixa-se absorver pela criação. Sob seus dedos movem-se estrelas, criam-se destinos e histórias. Ele é rei, e seu reino é a poesia.

Mefisto ri-se a um canto, enquanto Fausto, na agonia, o ignora. Otelo perdeu-se por Desdêmona, e Orfeu vai em busca de Eurídice. Werther chora, prestes a dar cabo ao que será destino de muitos após ele. A ignomínia de seus corpos os abandona ao vento. Deixemos, pois, os laços que na vida nada valem e amemos. Nada muda e nada acontece, tudo fica como antes.

Acendam-se as luzes:

Romeu vive.

26/03/2001

Publicado por: Gui | 27/05/2009

Elogio Epicuresco à Vida Fútil e aos Prazeres

Elogio Epicuresco à Vida Fútil e aos Prazeres

Deus nos mostra um diário paraíso
Nos momentos mais fúteis desta vida
Ao vê-los não precisas ter juízo
Nem tampouco ter a fé enaltecida

Há um certo paraíso que é terreno
A todos os discípulos de Epicuro
Onde a Dor (e ter Trabalho) é o veneno
E o combate e a vida árdua é fardo duro

Bem aquele que da honra tira as lentes
E se deixa abandonar pelo instinto
Vê então na vida pura as mais dementes

Idéias. Sendo assim que agora eu sinto
A vida. Verás nada caso tentes
Se o contrário te disser é porque minto.

22/03/2001

Publicado por: Gui | 27/05/2009

Abs-Trato

Abs-Trato

A minha moral e meus preceitos
Ab-nego
À poesia e ao meu espírito
Ab-dico
As ilusões, os meus amores
Ab-rogo
O teu corpo no meu corpo
Abs-tenho
Nossas falhas (os pecados)
Ab-solvo
o amor possível, pensamento
Abs-traio

Do lirismo, romantismo
Ab-uso
Teu coração e teu silêncio
Abs-trato
Que te amo, que te quero
Ab-juro
Tu me negas e eu me faço
Ab-surdo
O licor dos teus beijos
Ab-sorvo
Os teus seios, teu veneno
Ab-sinto.

19/03/01

Crítica à Providência pelo Contraditório Espírito Humano

Oh, meu Deus, que da pura luz celeste
E da terra que já foi a pedra dura
Fez vivente a sua mais vil criatura
E plantou-a no incriado céu terrestre

Mas que inspiração foi essa que tiveste
Ao dar a humana fera sua “natura”
Causar pode no espírito ruptura
A junção instinto-amor que tu quizeste

E a almejada obra prima definhou
De fraco espírito e instinto abastado
Perdendo então a razão que ela sonhou

Pois não pode num só corpo lado a lado
Manter a humana carne e o que restou
De um celeste espírito divinado.

19/03/2001

Publicado por: Gui | 11/09/2008

Camila

Camila

à Camila dos Reis

Certas vezes, enquanto vivemos
Algumas pessoas se destacam das outras
Muitas nem se dão conta disso
Individualmente tranquilas vão vivendo
Longe das tormentas do mundo
Assim, quase inconscientes

De algum modo essas pessoas
Olham o mundo de uma outra forma
Sentindo que o amanhã é mais que um outro dia

Realmente, tu és uma dessas pessoas
E agradeço por saber que serás amiga
Inda nos separe a distância ou talvez o cruel fado
Sempre estarás aqui,

espiritualmente a meu lado.

12/03/2001

Publicado por: Gui | 11/09/2008

Boêmio

Boêmio

Sinto agora a ausência de inspiração
Há uma vontade inerente de fazer algo
Criar algo
Meio angústia e desespero
Existe a idéia latente de criar um poema
Que não nasce
Por maior que seja a pressão de minha veia poética
Essa angústia
Sendo um misto de dor e prazer
É quase lírica
Não fosse a total ausência de amor
Aliás
A total ausência de qualquer coisa que valha
Talvez a culpa seja minha
Por ter-me transmigrado
E agora
A única coisa que vai ao céu
É a fumaça de um cigarro
E o único refresco de minh’alma
Um copo de cerveja.

12/03/2001

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